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AFTA
Q
uando se fala em afta, todo mundo tem uma receitinha, como aquela de se passar o bicarbonato de sódio pensando que a ferida será curada mais rapidamente.
Na verdade, segundo o professor Norberto Nobuo Sugaya, da Faculdade de Odontologia da USP, nenhum desses métodos é eficaz para solucionar o problema que atinge aproximadamente 20% da população mundial.
Apesar de antiga, a afta é uma doença para qual a cura e a causa ainda não foram descobertas.

A teoria mais aceita é a de que a pessoa com afta sofre de alguma deficiência no sistema imunológico, que pode ser atribuída a fatores como fase de stress mais violenta, tensão pré-menstrual ou deficiência nutricional, já que estes afetam o sistema imunológico.

Frutas ácidas, como o abacaxi, diminuem a queratinização da mucosa bucal, diminuindo a proteção da boca e facilitando a penetração de microorganismos (ainda não se sabem quais). O sistema imunológico que deveria combater a bactéria acaba por destruir parte do tecido normal, causando a ferida. O professor diz que há três graus de severidade nos casos de afta: o quadro leve, em que a pessoa tem até três aftas por ano; o moderado, até oito, e o severo, em que a pessoa quase não apresenta período livre de afta.

No primeiro caso, o incômodo é passageiro, e por isso, o período paciente se automedica com uma pomada anestésica local. Os dois últimos casos são os mais freqüentes na clínica da faculdade, mas, segundo o professor, não há tratamento eficaz para todos os pacientes, e, por isso, ele é individualizado, visando aliviar os sintomas, prevenir o aparecimento de novas aftas e diminuir a gravidade do surto.

A tendência a ter a afta começa a surgir na adolescência e se agrava na faixa dos 30 a 40 anos, fase em que a pressão social é maior e há maior preocupação com a estabilidade financeira e familiar.
Com o avanço da idade a tendência diminui, e, por vezes, o problema desaparece por completo. Outro ponto interessante que o professor Norberto destaca é que pessoas que fumam mais de um maço de cigarros por dia dificilmente apresentam afta, porque o fumo provoca uma queratinização maior da mucosa bucal, uma espécie de "calo", que impede a penetração de elementos estranhos.

O Brasil está no mesmo nível de pesquisas do que qualquer outro país, e a USP concentra-se, nessa área, na pesquisa de microbiologia (a fim de descobrir qual é o elemento causador da afta que penetra na mucosa) e terapêutica.

O bicarbonato de sódio serve para diminuir a dor, já que destrói as células nervosas responsáveis por ela; porém, essa receitinha caseira faz a afta demorar ainda mais para desaparecer, por causa dessa destruição dos tecidos normais da mucosa.